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Culturofagia - Carmem Toledo

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segunda-feira, 24 de junho de 2013

Meu segundo Encontro Bimestral de Dança: Algumas surpresas...



Mais uma vez, fui sorteada para dançar no Encontro Bimestral de Dança. Desta vez, o evento aconteceu no dia 16 de junho de 2013 e contou com as apresentações de Lunnah D'Ouro, Angélica Vianna e Gill Ahrins, além da participação especial de Adriah Esteves.

As estrelas do dia:
Carmem Toledo, Gill Ahrins, Lunnah D'Ouro e Angélica Vianna.


O que eu não esperava é que este encontro, que deveria ser apenas uma mostra interna de dança, viria a se tornar, de repente, minha festa de aniversário...
Nasci no dia 6 de maio, mas, como nossa professora Saphyra estava viajando (colhendo muita informação e cultura na Turquia, para dividir com suas alunas), a festa surpresa foi feita pouco mais de um mês depois.
Na verdade, meu nascimento estava previsto para o início de junho, mas nasci um mês antes. Isto significa que fui homenageada na época certa, afinal, a apressada fui eu.



Este evento foi repleto de música, dança e muita alegria, além de apresentações que encantaram a todos.
Em determinado momento, fui chamada a dançar - de maneira improvisada - ao som de "A mi manera", interpretada por Adriah Esteves.







Mariana Martins, Elisabete Zancanella, Carmem Toledo,
Adriah Esteves, meus pais Edson e Irene de Toledo,
Lady Agatha Daae e Lunnah D'Ouro.








Depois, descemos todos para a Boutique Cigana, onde foram oferecidos muitos salgados, refrigerantes, vinhos e o maravilhoso bolo feito por Bete Zancanella, com muito chocolate (exatamente como eu adoro).







Carmem Toledo, Adriah Esteves, meus pais Edson e Irene de Toledo,
Saphyra Cris Wilson e Douglas Nicolete.






Foi um dia muito especial, que ficará guardado em minha memória, para sempre.
Os melhores presentes que recebemos são as demonstrações de carinho e as palavras que surgem do coração.

Agradeço aos meus pais, à Saphyra Cris Wilson e a todos que participaram desse plano tão bem arquitetado...








Neste dia, minhas apresentações foram uma homenagem aos meus antepassados.
Todas as canções escolhidas falavam sobre Andaluzia, região localizada no sul da Espanha, onde a maior parte deles nasceu. Cada roupa utilizada também teve seu significado, de acordo com o que a canção dizia.

No dia seguinte à apresentação, publiquei, em meu blog pessoal, um texto que conta a história de meus antepassados, juntamente com a tradução, feita por mim, da música da primeira apresentação ("Andalucía"). Sugiro que o leiam, depois que terminarem de ler esta postagem.

Seguem as músicas que utilizei naquele dia e algumas fotos:



"Andalucía", El Barrio.
Esta canção fala sobre a Comunidade Autônoma de Andaluzia e tudo o que esta terra oferece: suas belezas, seus poetas, a calma das "calles", onde senhoras se sentam em suas velhas cadeiras de balanço... além de um sentimento inominável que toma conta de quem visita este lugar, traduzido na música como "el sentir de Andalucía".
Minha roupa é verde, por ser esta a cor predominante da bandeira de Andaluzia.











"El toro y la luna", El Matador.
Esta é uma canção tradicional, composta por Carlos Castellano Gómez (seu título original é "La luna y el toro"). Já foi gravada por Eydie Gormé, Joselito e outros intérpretes.
Conta a história de um touro que se apaixona pela lua, ao ver seu reflexo no rio.
A canção fala da lua atribuindo-lhe características de uma mulher: ela se penteia nos "espelhos do rio", sai à noite com uma "bata de cola"... Já as patas do touro são comparadas a leques coloridos, por causa de sua paixão, que acaba escondendo toda sua valentia.
Minha saia representa a água do rio e suas franjas prateadas, o reflexo da lua.
Minha blusa e meu corpete simbolizam o céu noturno.
Os acessórios prateados são as estrelas e astros luminosos que caem sobre o touro e o "banham de prata".
O leque é uma referência à parte da letra que diz "abanicos de colores parecen sus patas".





"Granada", Plácido Domingo.
Composta pelo mexicano Agustín Lara, esta canção homenageia a cidade espanhola pertencente à região de Andaluzia.
Fala sobre as touradas e toda a beleza cigana dessa terra cheia "de lindas mujeres, de sangre y de sol".
Vesti-me de vermelho, com acessórios dourados, para representar as cores da bandeira da Espanha e do escudo do município de Granada, onde um de meus bisavós maternos nasceu. O vermelho também se refere ao sangue das "tardes de toros".











Compreendam melhor as razões dessas escolhas, lendo a postagem "Espanha e a história de meus antepassados", também disponível neste blog.

Carmem Toledo.



Festa do Trabalhador - 1º de maio de 2013



No dia 1º de maio de 2013, fiz minha primeira apresentação para um público maior, durante a Festa do Trabalhador organizada pela Igreja Santo Antonio do Pari, com apoio da Boutique Cigana.

Carmem Toledo desfila ao lado do jornalista Dutra.

Participei do desfile de roupas ciganas - organizado pela dona Marlene Capela Wilson - e, em seguida, de duas apresentações de dança.













Seguem algumas fotos e as canções utilizadas:

"Historia de un amor", Manuel Malou.
Esta música foi escolhida na última hora, ou melhor, alguns minutos antes que eu saísse de casa.
Fui surpreendida por um telefonema que dizia que eu iria me apresentar na festa. Escolhi uma roupa e esta canção, composta por Carlos Ereta Almarán, que fez sucesso nas vozes de Eydie Gormé e Trío Los Panchos.
Comigo, apresentaram-se também a dona Carmen - esbanjando simpatia - e um convidado da festa.







"Con mi rumba", Luna Bianca.
Esta canção não foi escolhida por mim, na ocasião.
Ela foi tocada no momento em que todos os participantes do desfile foram convidados a "bailar la rumba" nesta festa que homenageou os trabalhadores.









Carmem Toledo.



Minha primeira apresentação no Saphyra Espaço de Dança




Comecei a frequentar as aulas de Dança Cigana no dia 2 de agosto de 2012.
Até então, não tinha nenhuma experiência nesta modalidade, tendo apenas cursado três meses de Dança de Salão e cinco meses de Dança do Ventre, em outras escolas. Como não havia me adaptado bem aos espaços que ofereciam esses cursos, não permaneci durante muito tempo.

Para minha surpresa, alguns dias depois de ter feito minha primeira aula no Saphyra Espaço de Dança, fui uma das sorteadas para me apresentar em um evento interno, intitulado "Encontro Bimestral de Dança". As apresentações realizadas nesse encontro devem ser criadas pelos próprios sorteados, que optam por dançar de uma a três músicas de sua escolha.


As estrelas do dia:
Carmem Toledo, Lady Agatha Daae, Jane Alves e Johann Zago



Saphyra Cris Wilson dançando
ao som de Adriah Esteves e Marcus Santurys
Meu primeiro "Encontro Bimestral de Dança" aconteceu no dia 9 de setembro de 2012 e foi também um momento de comemoração do aniversário da professora e responsável pelo espaço, Saphyra Cristiane Wilson, que havia completado mais um ano de vida no dia 7 daquele mês.









A presença de vários convidados enriqueceu o evento, que foi palco não somente de dançarinos talentosos (e de dançarinas que começavam a engatinhar, como eu), mas também de muita alegria e descontração.
Naquele dia, além de mim, apresentaram-se também Lady Agatha Daae, Johann Zago e Jane Alves.



Carmem Toledo e Marcus Santurys
Adriah Esteves e Marcus Santurys foram duas das presenças ilustres que nos presentearam com seu talento musical.
Adriah, com o som envolvente do violão e Santurys, com a melodia de sua cítara.








Como é a música que empresta o sentido da comunicação aos movimentos do corpo na dança, creio que seja importante dizer quais foram as canções que utilizei em minhas apresentações:


"Habanera", da ópera "Carmen", Georges Bizet.
Esta canção abriu minha estreia na dança e dispensa grandes explicações.
Por ser a música de abertura daquela que foi minha primeira apresentação no Saphyra Espaço de Dança, foi escolhida por representar uma corriqueira introdução social. Foi minha maneira de dizer a todos: "Olá! Meu nome é Carmem!"
No final, lancei uma rosa vermelha ao público, repetindo a ação da cigana que lançara uma flor de acácia ao militar Don José, no conto de Prosper Mérimée que deu origem à ópera de Georges Bizet.












"Ritmo de la noche", Gipsy Kings.
Creio que esta canção represente bem minha ansiedade diante daquela experiência de me apresentar, dançando, pela primeira vez. Deitava-me na cama e ficava ouvindo as canções que escolhera para dançar naquela ocasião - mania que ainda não perdi e, creio, não perderei tão cedo.
Tal era o ritmo de minhas noites.







"Lel-Lere-Bay-Bay", Manuel El Chachi.
Escolhi esta canção por ser bastante agitada e porque queria algo animado para encerrar minhas apresentações daquele dia. Esta canção é um elogio à cigana sedutora, que passeia pelos sonhos de seus enfeitiçados com seus cabelos negros.



Carmem Toledo.






Espanha e a história de meus antepassados.


Bandeira da Espanha



Bandeira da Comunidade Autônoma de Andaluzia (sul da Espanha)



Bandeira da Comunidade Autônoma das Ilhas Canárias (arquipélago do Oceano Atlântico pertencente à Espanha)



Bandeira da Comunidade Autônoma de Murcia (sudeste da Espanha)



Espanha: terra de grandes poetas, de touradas que tingem a terra de sangue, de mulheres salerosas... e de meus antepassados. Todos os meus bisavós - maternos e paternos - vieram de lá, sendo boa parte da região de Andaluzia. 

Tudo começou quando Ana Fortes Días - filha de María Días, uma callí (cigana da Península Ibérica) casada com um gachó (homem que não é cigano) chamado José Fortes -, nasceu no povoado de La Carolina (província de Jaén). Na juventude, conheceu o andaluz nascido em Viator, Almería, José Gongora Cesar - filho de Trinidad Cesar Rodrigues e José Gongora Torres. Apaixonaram-se, casaram-se e vieram para o Brasil, trazendo o primeiro filho, José Gongora, que tinha apenas alguns meses. 

Eles vieram para o interior de São Paulo, não somente em busca de uma vida melhor, mas principalmente, porque a família de Ana era contra o casamento. O irmão de José, Juan Gongora, também veio pouco tempo depois, instalando-se no Paraná - em Londrina ou Curitiba - porém, nunca mais deu notícias. 

Ana, de tanto chorar a cada carta das irmãs que ficaram em Andaluzia, fez com que José tomasse uma atitude difícil: a de não mais entregar-lhe as epístolas. E foi assim que Ana perdeu todo o contato com sua família.

Vieram os outros filhos. Depois de José (nascido em Andaluzia), nasceram os primeiros brasileiros: Maria, Trindade (que deveria ter sido registrada como Trinidad), Antonio, Carmem (registrada no Brasil, erroneamente, com "m") e Manuel (que faleceu ainda bebê). 

Carmem Gongora era a caçula, nascida na cidade de Tapiratiba, interior de São Paulo.
Aos 12 anos, conheceu Luís Antiquera Rodrigues, um jovem de 17 anos que vivia na fazenda vizinha, nascido em São José do Rio Pardo, em São Paulo. Seus pais, Francisca Lopes e Juan Antiquera Rodrigues (vindo a se tornar "João" nos documentos, além de receber o sobrenome "Rodrigues" de seu patrão, ao embarcar no navio que o trouxe), também eram andaluzes de Granada. Luís, como Carmem, também era o caçula de muitos irmãos: Francisco, María del Carmen, Izabel, João Francisco, Antonio e Rosaria Mathildes. Alguns anos depois, Carmem e Luís se casaram e tiveram dois filhos: Irene e Luís.

Enquanto isso, casavam-se Eulália e João, cujos pais também vieram da Espanha. Os pais de João eram Israel de Toledo, um judeu espanhol nascido na região de Andaluzia, e Hermínia Ávila, uma morena de olhos amendoados nascida em Santa Cruz de Tenerife, Ilhas Canárias. Os pais de Eulália eram Bartolomeu Serrano Lopez - nascido em Murcia - e María Josefa Martins Hernández - nascida na região de Andaluzia. Eulália tem um irmão chamado Cristóvão; João, três irmãos: Carmen, Clara e Antonio.

Eulália e João tiveram sete filhos: Edson, Izidro, Maria da Penha de Jesus, Irineu, Magali, Marcia e Elaine.
Edson de Toledo, o mais velho, casou-se com Irene Gongora Rodrigues. 
E eu nasci. Nasci Carmem, como minha avó materna e minha tia-avó paterna; Carolina, como o pequeno povoado de Jaén onde minha bisavó Ana nasceu; Rodrigues, como o sobrenome "emprestado" de meu bisavô Juan; Toledo, como o sobrenome de meu bisavô Israel.


Terra de Camarón de la Isla, Federico García Lorca, Miguel de Cervantes, Paco de Lucía, Plácido Domingo, Sarita Montiel, Luís de Góngora...
Esta é a Espanha!

Foi nessa terra que nasceram também os cantores José Luis Figuereo Franco - conhecido como El Barrio - e Rosana Arbelo Gopar.
El Barrio nasceu em Cádiz, Andaluzia. Rosana nasceu em Lanzarote, Ilhas Canárias. 

El Barrio começou a demonstrar seu talento ainda na infância. Seu nome artístico foi escolhido em homenagem ao bairro de Santa María, onde nasceu, em Cádiz. Como a maioria dos cantantes espanhóis, sua maior inspiração é Paco de Lucía.
Rosana compõe e canta rumbas, mas também grava estilos diversos, como Rock e Reggae. Aos cinco anos, ganhou seu primeiro violão e aos oito, compôs sua primeira canção.

Para esta postagem, pertencente à série Especial - A Beleza das Raças, escolhi duas canções fortes, com letras profundas, que estimulam a reflexão e inspiram o respeito àqueles que estiveram na Terra antes de nós e àqueles que ainda virão.

A canção "Andalucía" é um pequeno resumo dessa terra de poetas e artistas onde meus antepassados nasceram. Percebe-se o amor e o respeito que El Barrio tem por essa bela região, não somente através da letra, mas pela melodia forte e cheia de sentimento.
O clipe de "Llegaremos a tiempo" não fala apenas por palavras, mas também é perfeitamente compreensível pelas imagens. Ela se dirige a todos os seres humanos, e não somente aos cidadãos espanhóis.

Logo abaixo, seguem as letras das canções e suas respectivas traduções, feitas por mim. 
O vídeo de "Andalucía" traz bonitas imagens andaluzes.
O clipe de "Llegaremos a tiempo" não foi incorporado, pois roda somente na página do Youtube, por determinação da gravadora WMG. Peço que ouçam as canções nos players abaixo, acompanhando a letra e depois, assistam aos clipes.

Carmem Toledo.



Vídeo: Canal tano rubiales cardona, Youtube


"Andalucía"
El Barrio




Letra:

Vente conmigo a vivir 
Tengo una choza en un rio llena de rosas y jazmín (bis)

Ayer tuve un sueño, 
No quise despertar
Me vi en un patio cualquiera 
Con balcones, con calichas y escaleras quebradas,
De barandas cubiertas de enredaderas 

Casa puertas de madera y un olor a humedad.

Una mujer vieja sentada 
En una mecedora 
Que apenas balancea, 
Una mesa y una sillita de nea,
Unos años de guerra y alegría 
Un naranjo y en el centro 
Y el sentir de Andalucía, 
Andalucía

Vente conmigo a vivir 
Tengo una choza en un rio llena de rosas y jazmín (bis) 

Tierra de grandes poetas, 
Pero haber quien me discute 
Que siendo andaluz nunca ha escrito una letra
Quien nos ha impregnado de sal 
Si entre montes, valle y mar,
Tenemos para regalar

En un parque solitario 
Con la luna por testigo
Sueñan dos enamorados
Golondrinas que anidan el tejado
Una fuente donde se llenan los barros
(?),
Caballo, guitarra, vino y carro
Y el sentir de Andalucía
Andalucía


Vente conmigo a vivir 
Tengo una choza en un rio llena de rosas y jazmín (bis) 


Tradução (por Carmem Toledo):

Vem comigo viver
Tenho um casebre no rio cheio de rosas e jasmim

Ontem tive um sonho
Não quis despertar
Me vi em um pátio qualquer
Com sacadas, com paredes descascadas e escadas quebradas
De corrimões cobertos de trepadeiras
Casa, portas de madeira e um cheiro de humidade

Uma mulher velha sentada 
Em uma cadeira de balanço 
Que mal balança
Uma mesa e uma cadeirinha de palha (?)
Uns anos de guerra e alegria
Uma laranjeira e no centro
E o sentimento de Andalucía
Andalucía

Vem comigo viver
Tenho um casebre no rio cheio de rosas e jasmim

Terra de grandes poetas,
Mas há de surgir quem me desminta
Que sendo andaluz nunca escreveu uma letra
Quem nos impregnou de sal
Se entre montes, vale e mar
Temos para presentear

Em um parque solitário
Com a lua por testemunha
Sonham dois apaixonados
Andorinhas que fazem ninhos no telhado
Uma fonte cheia de barro (?)
Cavalo, violão, vinho e carroça
E o sentimento de Andalucía
Andalucía

Vem comigo viver
Tenho um casebre no rio cheio de rosas e jasmim

(Tradução para o português: Carmem Toledo)




"Llegaremos a tiempo"
Rosana 





Letra: 

Si te arrancan al niño, que llevamos por dentro,
Si te quitan la teta y te cambian de cuento
No te tragues la pena, porque no estamos muertos
Llegaremos a tiempo, llegaremos a tiempo

Si te anclaran las alas, en el muelle del viento
Yo te espero un segundo en la orilla del tiempo
Llegarás cuando vayas más allá del intento
Llegaremos a tiempo, llegaremos a tiempo…

Si te abrazan las paredes desabrocha el corazón
No permitas que te anuden la respiración
No te quedes aguardando a que pinte la ocasión
Que la vida son dos trazos y un borrón

Tengo miedo que se rompa la esperanza
Que la libertad se quede sin alas
Tengo miedo que haya un día sin mañana
Tengo miedo de que el miedo, te eché un pulso y pueda más
No te rindas no te sientes a esperar

Si robaran el mapa del país de los sueños
Siempre queda el camino que te late por dentro
Si te caes te levantas, si te arrimas te espero
Llegaremos a tiempo, llegaremos a tiempo…

Mejor lento que parado, desabrocha el corazón
No permitas que te anuden la imaginación
No te quedes aguardando a que pinte la ocasión
Que la vida son dos trazos y un borrón

Tengo miedo que se rompa la esperanza
Que la libertad se quede sin alas
Tengo miedo que haya un día sin mañana
Tengo miedo de que el miedo te eché un pulso y pueda más
No te rindas no te sientes a esperar

Solo pueden con tigo, si te acabas rindiendo
Si disparan por fuera y te matan por dentro
Llegarás cuando vayas, más allá del intento
Llegaremos a tiempo, llegaremos a tiempo…


Solo pueden con tigo, si te acabas rindiendo
Si disparan por fuera y te matan por dentro
Llegarás cuando vayas, más allá del intento
Llegaremos a tiempo, llegaremos a tiempo…



Tradução (por Carmem Toledo):

Se te arrancam a criança que levamos por dentro,
Se te desmamam e te mudam de conto
Não te engulas o tormento, porque não estamos mortos
Chegaremos a tempo, chegaremos a tempo

Se te fixam as asas no cais do vento
Eu te espero um segundo na borda do tempo
Chegarás quando fores mais além da tentativa
Chegaremos a tempo, chegaremos a tempo

Se te abraçam as paredes, desabrocha o coração
Não permitas que te amarrem a respiração
Não fiques esperando que pinte a ocasião
Que a vida são dois traços e um borrão

Tenho medo que se quebre a esperança
Que a liberdade fique sem asas
Tenho medo que haja um dia sem manhã
Tenho medo de que o medo te tire a força e possa mais
Não te rendas, não te sentes a esperar

Se roubaram o mapa do país dos sonhos,
Sempre resta o caminho que te fala por dentro
Se te cais, te levantas, se te aproximas, te espero
Chegaremos a tempo, chegaremos a tempo

Melhor lento que parado, desabrocha o coração
Não permitas que te amarrem a imaginação
Não fiques esperando que pinte a ocasião
Que a vida são dois traços e um borrão

Tenho medo que se quebre a esperança
Que a liberdade fique sem asas
Tenho medo que haja um dia sem manhã
Tenho medo de que o medo te tire a força e possa mais
Não te rendas, não te sentes a esperar

Só podem contigo, se te acabas rendendo
Se disparam por fora e te matam por dentro
Chegarás quando fores mais além da tentativa
Chegaremos a tempo, chegaremos a tempo

Só podem contigo, se te acabas rendendo
Se disparam por fora e te matam por dentro
Chegarás quando fores mais além da tentativa
Chegaremos a tempo, chegaremos a tempo

(Tradução para o português: Carmem Toledo)




(Texto originalmente publicado no blog "Carmem Toledo", no dia 17 de junho de 2013)

Sugiro que leiam a postagem "Meu segundo Encontro Bimestral de Dança: Algumas surpresas..."

Carmem Toledo.





Optchá! Uma homenagem ao povo cigano.





O povo cigano originou-se, provavelmente, na Índia ou no Egito, espalhando-se pela Europa e então, pelo mundo. Nômade, reuniu elementos de várias culturas e, assim, criou sua identidade e sua própria língua, o romani.

Na Península Ibérica, há uma língua derivada de diferentes dialetos chamada caló ou chipicalli, que também é usada pelos ciganos.
O caló "emprestou" muitas palavras ao idioma castelhano, como:
"andoba": pessoa sem importância, "um tal de"; "chachi": muito bom, extraordinário, verdadeiro (do caló: "chachipén"); "chalao" ou "chalado": louco (do caló: "chala"); "chaval": menino (do caló: "chavó"); "molar": gostar muito de algo, a valer (do caló: "molel"); "pureta": velho (do caló: "puró"), etc.

Os ciganos se dividem em três grandes grupos, que compreendem várias famílias:
- Calé, presente na Península Ibérica - principalmente Espanha e Portugal -, sul da França e norte da África.
- Rom, que inclui os Kalderash (Balcãs: Sérvia, Turquia, Romênia, Eslovênia, etc.) e os Romanichal (Reino Unido e América do Norte).
- Sinti, presente na Alemanha e na região da Alsácia.

Hoje, existem milhões de ciganos espalhados pelo mundo.
Brasil, Espanha, Romênia, França e Sérvia são alguns dos países onde eles existem em maior número.

A história dos ciganos na Espanha data de cerca de 600 anos.
Nesse país, existem entre 600.000 e 650.000 gitanos, em uma população de cerca de 40 milhões de habitantesA maior concentração se encontra na região de Andaluzia, no sul da Espanha, onde há cerca de 350.000 ciganos.

No Brasil, os primeiros ciganos chegaram depois de serem expulsos de Portugal, no século XVI. Foram degredados, principalmente, para a Bahia, o Maranhão e o Rio de Janeiro, entre outras capitanias.
No século XIX, quando D. João VI viajou ao Rio de Janeiro, artistas de teatro o acompanharam, para distrai-lo. Eram todos ciganos.
Mais tarde, durante a Primeira Guerra Mundial, um grande número de ciganos do Leste Europeu imigrou para o Brasil, dedicando-se ao comércio, ao artesanato e às artes circenses.
Na Segunda Guerra Mundial, assim como os judeus, eram considerados uma raça inferior e também sofreram perseguição nazista. Muitas crianças ciganas eram usadas como cobaias em experiências médicas, em Auschwitz. Nesse período, também houve grande imigração.

Hoje, há cerca de 800.000 ciganos no Brasil, onde foi instituído, em 2006, o Dia Nacional do Cigano, que é comemorado todos os anos, dia 24 de maio, oficialmente, desde 2007. Esta data foi escolhida por ser o Dia de Santa Sara Kali, padroeira dos ciganos.

Segundo uma versão da história da santa, Sara teria guiado José de Arimateia, juntamente com Maria de Nazaré, sua irmã Maria Jacobina e Maria Salomé (mãe de João e Tiago), durante a perseguição romana aos cristãos. De acordo com uma outra versão, vendo as "três Marias" chegarem em um barco que ameaçava afundar, ela teria lançado seu lenço sobre as ondas e caminhado sobre as águas, para guiá-las no desembarque.

Essas histórias e tradições sempre foram passadas oralmente, pois os ciganos costumam ser analfabetos. Ainda hoje, há muitos com baixa escolaridade.
No entanto, existem muitos ciganos com Ensino Superior e Pós-Graduação completos.
Há, inclusive, programas de inclusão social, sobretudo, na Europa, como a EURoma - European Network on Social Inclusion and Roma under the Structural Funds -, que aplica políticas destinadas a melhorar a coesão social na União Europeia, garantindo o acesso aos fundos estruturais e, portanto, ao trabalho, aos estudos e a uma real participação na sociedade.

A imagem do cigano sempre inspirou discriminação, misticismo e fantasias diversas.
Apesar de serem, muitas vezes, associados a religiões afro-brasileiras, é importante que se saiba que, como povo em que prevalece a pluralidade étnica e cultural, os ciganos têm diferentes religiões e crenças. Sendo assim, não podem ser vistos de maneira estigmatizada. Existem ciganos umbandistas, católicos, evangélicos e seguidores de muitas outras crenças.

Sua máxima é "A terra é minha Pátria, o céu é o meu teto e a liberdade é a minha religião".
Isto me faz lembrar um trecho do segundo ato da ópera "Carmen", de Bizet:

"Pour pays l'univers, pour loi ta volonté,
Et surtout, la chose enivrante:
La liberté! La liberté!"

Por país, o universo, por lei, tua vontade,
E sobretudo, a coisa inebriante:
A liberdade! A liberdade!

A liberdade, para os ciganos, é o bem mais precioso que se pode conquistar.
Restringi-los a uma única religião ou traço cultural é desrespeitar esse tesouro.
O que não podemos esquecer é que se trata de um povo que, como todos os outros, merece respeito.

Eu, como trisaneta de uma cigana calé nascida em Andaluzia, ofereço minha homenagem a essa cultura que deixa sua marca nas estradas por onde passa.
Quase nada sei sobre esta minha trisavó. Apenas sei que se chamava María e que faleceu em La Carolina (Província de Jaén, Andaluzia), quando minha bisavó tinha apenas nove anos.

Mesmo assim, dedico esta postagem especialmente a ela. Sei que, mesmo sem tê-la conhecido e tendo ouvido tão pouco sobre minha trisavó, ela me conhece e está ao meu lado, quando danço em honra de seu povo. Ela está presente também em cada parte de meu ser, pois seu sangue corre em minhas veias.

E vejam que brincadeira do destino: por pouco, não me chamo Sara!
No momento de meu nascimento, foi decidido que eu seria Carmem.
Carmem, como minha avó materna (neta de María) e como uma tia-avó paterna.
Carmem, como a cigana de Prosper Mérimée e de Georges Bizet.
Carmem: um poema cigano. E sou também Carolina, como a cidade onde ela faleceu.

E se trago um "m" intruso em meu nome, talvez, não seja por um mero erro de registro...
Se Carmen deu lugar a Carmem, esta pode ter sido uma homenagem do destino ao "M" de Maria: o nome de minha trisavó e das "três Marias" guiadas por Santa Sara. 

Optchá!

Carmem Toledo


Segue o hino cigano, "Gelem Gelem", traduzido para o espanhol pela Unión Romani e em seguida, para o português, por mim.



Vídeo: Canal de dizdirasamira, Youtube



"Gelem Gelem"
Compositor: Jarko Jovanovic
Intérprete (neste vídeo): Rromano Dives

Letra:

Gelem, gelem lungone dromensar
maladilem baxtale Rromençar
A Rromalen kotar tumen aven
E chaxrençar bokhale chavençar

A Rromalen, A chavalen

Sàsa vi man bari familja
Mudardás la i Kali Lègia
Saren chindás vi Rromen vi Rromen
Maskar lenoe vi tikne chavorren

A Rromalen, A chavalen

Putar Dvla te kale udara
Te saj dikhav kaj si me manusa
Palem ka gav lungone dromençar
Ta ka phirav baxtale Rromençar

A Rromalen, A chavalen

Opre Rroma isi vaxt akana
Ajde mançar sa lumáqe Rroma
O kalo muj ta e kale jakha
Kamàva len sar e kale drakha

A Rromalen, A chavalen




Tradução para o espanhol (por http://www.unionromani.org):

Anduve, anduve por largos caminos
Encontré afortunados romà
Ay romà ¿de dónde venís
con las tiendas y los niños hambrientos?

¡Ay romà, ay muchachos!

También yo tenía una gran familia
fue asesinada por la Legión Negra
hombres y mujeres fueron descuartizados
entre ellos también niños pequeños

¡Ay romà, ay muchachos!

Abre, Dios, las negras puertas
que pueda ver dónde está mi gente.
Volveré a recorrer los caminios
y caminaré con afortunados calós

¡Ay romà, ay muchachos!

¡Arriba Gitanos! Ahora es el momento
Venid conmigo los romà del mundo
La cara morena y los ojos oscuros
me gustan tanto como las uvas negras

¡Ay romà, ay muchachos!

(Tradução para o espanhol por Unión Romani)



Tradução para o português (a partir do espanhol, por Carmem Toledo):

Caminhei, caminhei por longos caminhos
Encontrei afortunados ciganos
Ai, ciganos, de onde vindes
com as tendas e os meninos famintos?

Ai, ciganos, ai, jovens!

Também eu tinha uma grande família
Foi assassinada pela Legião Negra
Homens e mulheres foram esquartejados
Entre eles também meninos pequenos

Ai, ciganos, ai, jovens!

Abre, Deus, as portas negras
que eu possa ver onde está minha gente.
Voltarei a percorrer os caminhos
e caminharei com afortunados calós (ciganos)

Ai, ciganos, ai, jovens!

Levantem-se, ciganos! (ou "Vamos!") Agora é o momento
Vinde comigo os ciganos do mundo
O rosto moreno e os olhos escuros
Gosto deles tanto quanto das uvas negras

Ai, ciganos, ai, jovens!

(Tradução para o português: Carmem Toledo)




Fontes consultadas:


Além das fontes abaixo, incluo relatos familiares e recordações de infância, inclusive, no que diz respeito a palavras em caló (que eram ditas por minha bisavó Ana, filha da cigana María).
Agradeço à minha mãe Irene, à minha avó Carmem (também registrada com "m") e à minha bisavó Ana pela memória preservada e pela riqueza cultural transmitida.



1. BIZET, Georges. "Carmen".

2. Embaixada Cigana do Brasil (http://www.embaixadacigana.com.br)

3. EURoma - European Network on Social Inclusion and Roma under the Structural Funds (http://www.euromanet.eu/)

4. Famílias Ciganas - Guia de cadastramento de grupos populacionais tradicionais e específicos, Ministério do Desenvolvimento, Governo Federal, 2012 (http://www.mds.gov.br/cgsgrupos_populacionais/textos/ciganas.pdf)

5. FAZITO, Dimitri. "A identidade cigana e o efeito de 'nomeação': deslocamento das representações numa teia de discursos mitológico-científicos e práticas sociais". Revista de Antropologia [online], Departamento de  Antropologia - FFLCH - USP, 2006, vol.49, n.2, pp. 689-729 (http://www.scielo.br/pdf/ra/v49n2/07.pdf)

6. Fundación Secretariado Gitano (http://www.gitanos.org/)

7. GASPAR, Lúcia. "Ciganos no Brasil", Fundação Joaquim Nabuco, Recife (http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=914&Itemid=1)

8. Kumpanía Romai (http://www.kumpaniaromai.com.br)

9. "Lenguage Caló" - Programa de TV "Sacalalengua", TVE, Espanha, 2009 (http://www.rtve.es/alacarta/videos/television/sacalalengua/645407/?s1=programas)

10. MARSIGLIA, Luciano. "A saga cigana: a história e os segredos do povo mais misterioso do mundo", Revista Superinteressante, setembro/2008.

12. "Os ciganos em São Paulo: As linhas do futuro e a herança do passado" - Programa de rádio da série "O Povo Cigano no Brasil", Rádio Senado, 2005 (http://www.embaixadacigana.com.br/entrevistas/radio_senado/PGM%2005.mp3)

13. REBOLLEDO, J. Tineo. "A Chipicalli (La lengua gitana): Conceptos sobre ella en el mundo profano y en el mundo erudito - Diccionario Gitano-Español y Español-Gitano", Granada, Imprenta de F. Gómez de la Cruz, 1900 (http://www.archive.org/stream/achipicallilalen00tine#page/n7/mode/2up)

14. Unión Romani (http://www.unionromani.org/index_es.htm)


Carmem Toledo.


(Texto originalmente publicado no blog "Carmem Toledo", no dia 24 de maio de 2013)




"Sinestesia", por Carmem Toledo


Uma homenagem ao primeiro Círculo Precioso do qual participei, no Saphyra Espaço de Dança.

por Carmem Toledo


Ao longe, vi passar uma caravana cheia de cores, sons e aromas...
Pude enxergar um grupo de ciganos que caminhavam, cantando e tocando seus instrumentos.
Senti uma brisa que, rapidamente, transformou-se em um vento forte. Meus cabelos meneavam qual bandeira a ostentar um brasão e uma história. O brasão batia em meu peito; a história era algo muito pessoal ainda a se desenvolver.
Senti uma forte curiosidade, mas o medo do desconhecido fez com que meus pés não saíssem do chão.
Vacilei. Dei um passo. Parei. Meu pé direito quis dar um passo, mas o esquerdo ficou para trás. - Espere! Os passos consistem justamente neste movimento! - Compreendendo isso, meu pé esquerdo resolveu imitar o direito e o ultrapassou.

Cheguei perto da caravana. Mesmo assim, ainda imaginei que seria melhor observá-la atrás de uma árvore.
Os sons tornaram-se mais nítidos e os aromas, mais inebriantes... Por fim, dei-me conta de que as cores eram doces, os sons brilhavam como o Sol e os aromas faziam-me sentir muita vontade de dançar!
Como isso era possível? Será que estava louca?

Decidi que o melhor seria me aproximar mais... Não sei se saí de trás da árvore ou se a Natureza fez um de seus milagres - se é que podemos falar em milagres, uma vez que não compreendemos nem mesmo quem somos e, ainda assim, teimamos em chamar "milagre" tudo aquilo que foge ao que esperamos -: só sei que, quando me dei conta, já estava na caravana e ela me conduzia...

Eis que mais uma surpresa me ocorreu: Eu não era conduzida, mas conduzia. Sim! Vi-me à frente, levando o grupo! 
Em questão de segundos (não posso afirmar com certeza, já que havia perdido a noção de tempo), notei que eu não era a única a conduzir e tampouco fui conduzida. Incrivelmente, todos conduziam. Todos eram guias. Compreendi, finalmente, que todos eram mestres e aprendizes naquelas sendas.

O grupo tinha a harmonia do canto do rouxinol e das cores do arco-íris. Havia uma unidade tão bem formada, que uma só voz era ouvida.
No entanto, a unidade que me deixara tão embasbacada revelou-se fruto da individualidade de cada voz. A unicidade fazia a unidade.
Quando me dei conta, já fazia parte da caravana... e ela fazia parte de mim.

Por fim, sentamo-nos em um círculo, onde compartilhamos palavras, silêncios, medos, bravuras, o pão e o chão. Lá, notamos a humanidade de cada um - ou melhor: lembramo-nos de que somos humanos. Em círculo, ninguém é o primeiro ou o último; ninguém está à frente ou atrás. Apenas estamos. Apenas somos. Vemos e somos vistos do mesmo ângulo por todos... E todos estão lado a lado: como companheiros.

Entendi, depois de muito pensar, que os sons, os aromas, as cores, o vento, tudo aquilo éramos nós mesmos!
E eu já não me referia à caravana utilizando a terceira pessoa, mas a primeira!
Singular e plural eram uma única coisa.

Cheguei, então, à conclusão que eu não esperava encontrar (e estas costumam ser as melhores conclusões: aquelas que não são convidadas!): Deus existe.


Carmem Toledo.



(Texto publicado originalmente no blog "Carmem Toledo", no dia 14 de setembro de 2012, em homenagem ao primeiro Círculo Precioso do qual participei, no Saphyra Espaço de Dança.)




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