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segunda-feira, 29 de julho de 2013

10º Encontro Precioso de Danças Étnicas



No último dia 28, o Saphyra Espaço de Dança e a Boutique Cigana realizaram o 10º Encontro Precioso de Danças Étnicas, apresentando estilos variados e recebendo outros grupos, que também vieram mostrar seu trabalho: Cia. Andaluz, Espaço Ganesha, Espírito Gitano, Núcleo Terapêutico Gira Sol, Núcleo Renascimento, Mahin Studio de Dança, Cia. de Dança Zazu, Studio Marah Moreira e Espaço Artístico Malaika foram alguns dos grupos que embelezaram ainda mais o evento.

As apresentações solo de Luciana Vaiano, Lady Agatha Daae, Elisabete Zancanella, Vera Rodrigues, Mariana Martins e de outras dançarinas também enriqueceram muito o domingo.
Nesta postagem, destacarei minha participação no encontro.

Somente um pouco do espetáculo...



Na abertura, o público pôde conhecer um pouco do que vivenciamos em nosso espaço de dança, com uma síntese das conversas realizadas nos Círculos Preciosos - reuniões exclusivamente femininas que acontecem bimestralmente, contando com a participação e colaboração de mulheres-dançarinas que têm algo a dizer ou somente a escutar.

Nesse primeiro momento, o público foi convidado a "Redescobrir" - título da canção utilizada nesta abertura, escrita por Gonzaguinha, compositor das lutas diárias e históricas dos brasileiros - e entrar na "brincadeira de roda" aberta a todos, cantada por uma mulher que marcou a história de nossa música e que nos deixou tão cedo: Elis Regina.

A cada rosa trocada, olhares se cruzavam e cada uma redescobria algo em si e na outra.
Assim são nossos Círculos Preciosos e é isso que quisemos passar para o público, que também faz parte do Círculo maior que é a vida, onde todos se encontram e se descobrem a cada ir e vir, a cada inspiração e expiração que tudo renova e fortalece.

Esta ideia surgiu durante o último círculo, que recebeu o nome de Granada.
Aos interessados em saber mais a respeito, sugiro que acessem o blog criado por nossa professora, que é exclusivamente voltado para essas reuniões, clicando aqui: Círculos Preciosos: Postagem "Círculo Precioso Granada".

"Como se fora brincadeira de roda/Jogo do trabalho na dança das mãos/O suor dos corpos na canção da vida/O suor da vida no calor de irmãos" (Gonzaguinha)



Em seguida, homenageamos a sabedoria passada através das gerações, com a apresentação que contou com as mães e filhas Marlene Capela Wilson e Saphyra Cris Wilson; Rosana Parzanese, Natália Parzanese e a pequena Júlia Parzanese; minha mãe, Irene Toledo e eu, Carmem Toledo.

Sabedoria, melodia e amor transmitidos de geração a geração...



Apresentamos também uma coreografia com leques, seguindo a canção "Three Women Walking", de Ottmar Liebert. Apesar do título da canção se referir a "três mulheres caminhando", nosso grupo era formado por seis mulheres que, mais do que caminhar, ocuparam todos os espaços com muita dança, cores e a magia dos leques, que comunicaram, através de gestos, muitos significados: liberdade, entrega, revolta, caridade, paixão e crença foram algumas das palavras "ditas" durante esta dança.

"O leque como linguagem e comunicação"



Depois, Marah Moreira dançou belamente, ao som contagiante das castanholas, acompanhando a "Habanera" da ópera "Carmen", de Bizet. É importante mencionar que nós, que tocávamos as castanholas, tivemos apenas quatro aulas, ministradas mensalmente por Saphyra.

A ópera utilizada nesta apresentação foi inspirada no conto homônimo de Prosper Mérimée e conta a história da cigana andaluz que, sedutora e traiçoeira, muda completamente os caminhos de Don José. Esta foi a primeira canção que utilizei na Dança Cigana, como já escrevi na postagem "Minha primeira apresentação no Saphyra Espaço de Dança".


Seguem a letra da "Habanera" e em seguida, sua tradução, feita por mim:

L'amour est un oiseau rebelle
Que nul ne peut apprivoiser,
Et c'est bien en vain qu'on l'appelle
S'il lui convient de refuser.
Rien n'y fait, menace ou prière,
L'un parle bien, l'autre se tait;
Et c'est l'autre que je préfère,
Il n'a rien dit, mais il me plaît.
L'amour... L'amour...
L'amour est enfant de Bohême,
Il n'a jamais connu de loi,
Si tu ne m'aimes pas, je t'aime;
Si je t'aime, prends garde à toi!
L'oiseau que tu croyais surprendre
Battit de l'aile et s'envola...
L'amour est loin, tu peux l'attendre;
Tu ne l'attends plus, il est là!
Tout autour de toi, vite, vite,
Il vient, s'en va, puis il revient...
Tu crois le tenir, il t'évite,
Tu veux l'éviter, il te tient.
L'amour... L'amour...


Tradução (por Carmem Toledo):

O amor é um pássaro rebelde
Que ninguém pode aprisionar,
E é em vão que o chamamos
Se lhe convém recusar.
De nada vale ameaça ou súplica,
Um fala bem, o outro se cala;
E é o outro que eu prefiro,
Ele não disse nada, mas ele me agrada.
O amor... O amor...
O amor é filho de cigano,
Ele jamais conheceu lei alguma,
Se tu não me amas, eu te amo;
Se eu te amo, toma cuidado!
O pássaro que tu acreditavas surpreender
Bateu as asas e voou...
O amor está longe, tu podes esperá-lo;
Tu não o esperas mais, ele está aí!
Todo ao redor de ti, rápido, rápido,
Ele vem, ele se vai, depois volta...
Tu crês possui-lo, ele te evita,
Tu queres evitá-lo, ele te possui.
O amor... O amor...

"Si je t'aime, prends garde à toi!" (Georges Bizet)



Além das belas apresentações de dança, um desfile de muito bom gosto expôs as belas roupas da Boutique Cigana.

Cores vibrantes e muita alegria!


No encerramento, a banda Mutrib trouxe muita alegria a todos, com seu repertório riquíssimo dos Bálcãs e do Mediterrâneo Oriental. Acompanhando sua ótima música, as dançarinas Saphyra, Marah Moreira, Telma Vieira e Lunnah D'Ouro acrescentaram ainda mais beleza à apresentação!

Depois, todos foram convidados a participar de danças circulares que encheram o salão de encanto, harmonia e bênçãos de Allah.

Talento, som e dança...



Gostaria muito de ter escrito sobre cada grupo e cada artista que se apresentou no 10º Encontro Precioso de Danças Étnicas, mas a emoção sentida em cada momento supera qualquer descrição. Somente quem presenciou sabe o quanto as palavras são insuficientes para descrever sensações únicas...

Este evento deixou fortes impressões no coração de quem prestigiou as apresentações de dança e, além de mostrar os vários talentos de cada grupo e escola, foi uma bela demonstração de que os encontros organizados pelo Saphyra Espaço de Dança dintinguem-se não apenas pela harmonia presente na música e nos movimentos, mas principalmente pela boa convivência e pela colaboração entre suas alunas, que formam uma bela família.

A preciosidade dos encontros não residem somente no valor de cada uma na dança e na vida, mas também porque, em nosso espaço de dança, as portas e os corações estão sempre abertos a quem quiser entrar em nossa "brincadeira de roda".


Carmem Toledo


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Meu segundo Encontro Bimestral de Dança: Algumas surpresas...



Mais uma vez, fui sorteada para dançar no Encontro Bimestral de Dança. Desta vez, o evento aconteceu no dia 16 de junho de 2013 e contou com as apresentações de Lunnah D'Ouro, Angélica Vianna e Gill Ahrins, além da participação especial de Adriah Esteves.

As estrelas do dia:
Carmem Toledo, Gill Ahrins, Lunnah D'Ouro e Angélica Vianna.


O que eu não esperava é que este encontro, que deveria ser apenas uma mostra interna de dança, viria a se tornar, de repente, minha festa de aniversário...
Nasci no dia 6 de maio, mas, como nossa professora Saphyra estava viajando (colhendo muita informação e cultura na Turquia, para dividir com suas alunas), a festa surpresa foi feita pouco mais de um mês depois.
Na verdade, meu nascimento estava previsto para o início de junho, mas nasci um mês antes. Isto significa que fui homenageada na época certa, afinal, a apressada fui eu.



Este evento foi repleto de música, dança e muita alegria, além de apresentações que encantaram a todos.
Em determinado momento, fui chamada a dançar - de maneira improvisada - ao som de "A mi manera", interpretada por Adriah Esteves.







Mariana Martins, Elisabete Zancanella, Carmem Toledo,
Adriah Esteves, meus pais Edson e Irene de Toledo,
Lady Agatha Daae e Lunnah D'Ouro.








Depois, descemos todos para a Boutique Cigana, onde foram oferecidos muitos salgados, refrigerantes, vinhos e o maravilhoso bolo feito por Bete Zancanella, com muito chocolate (exatamente como eu adoro).







Carmem Toledo, Adriah Esteves, meus pais Edson e Irene de Toledo,
Saphyra Cris Wilson e Douglas Nicolete.






Foi um dia muito especial, que ficará guardado em minha memória, para sempre.
Os melhores presentes que recebemos são as demonstrações de carinho e as palavras que surgem do coração.

Agradeço aos meus pais, à Saphyra Cris Wilson e a todos que participaram desse plano tão bem arquitetado...








Neste dia, minhas apresentações foram uma homenagem aos meus antepassados.
Todas as canções escolhidas falavam sobre Andaluzia, região localizada no sul da Espanha, onde a maior parte deles nasceu. Cada roupa utilizada também teve seu significado, de acordo com o que a canção dizia.

No dia seguinte à apresentação, publiquei, em meu blog pessoal, um texto que conta a história de meus antepassados, juntamente com a tradução, feita por mim, da música da primeira apresentação ("Andalucía"). Sugiro que o leiam, depois que terminarem de ler esta postagem.

Seguem as músicas que utilizei naquele dia e algumas fotos:



"Andalucía", El Barrio.
Esta canção fala sobre a Comunidade Autônoma de Andaluzia e tudo o que esta terra oferece: suas belezas, seus poetas, a calma das "calles", onde senhoras se sentam em suas velhas cadeiras de balanço... além de um sentimento inominável que toma conta de quem visita este lugar, traduzido na música como "el sentir de Andalucía".
Minha roupa é verde, por ser esta a cor predominante da bandeira de Andaluzia.











"El toro y la luna", El Matador.
Esta é uma canção tradicional, composta por Carlos Castellano Gómez (seu título original é "La luna y el toro"). Já foi gravada por Eydie Gormé, Joselito e outros intérpretes.
Conta a história de um touro que se apaixona pela lua, ao ver seu reflexo no rio.
A canção fala da lua atribuindo-lhe características de uma mulher: ela se penteia nos "espelhos do rio", sai à noite com uma "bata de cola"... Já as patas do touro são comparadas a leques coloridos, por causa de sua paixão, que acaba escondendo toda sua valentia.
Minha saia representa a água do rio e suas franjas prateadas, o reflexo da lua.
Minha blusa e meu corpete simbolizam o céu noturno.
Os acessórios prateados são as estrelas e astros luminosos que caem sobre o touro e o "banham de prata".
O leque é uma referência à parte da letra que diz "abanicos de colores parecen sus patas".





"Granada", Plácido Domingo.
Composta pelo mexicano Agustín Lara, esta canção homenageia a cidade espanhola pertencente à região de Andaluzia.
Fala sobre as touradas e toda a beleza cigana dessa terra cheia "de lindas mujeres, de sangre y de sol".
Vesti-me de vermelho, com acessórios dourados, para representar as cores da bandeira da Espanha e do escudo do município de Granada, onde um de meus bisavós maternos nasceu. O vermelho também se refere ao sangue das "tardes de toros".











Compreendam melhor as razões dessas escolhas, lendo a postagem "Espanha e a história de meus antepassados", também disponível neste blog.

Carmem Toledo.



Festa do Trabalhador - 1º de maio de 2013



No dia 1º de maio de 2013, fiz minha primeira apresentação para um público maior, durante a Festa do Trabalhador organizada pela Igreja Santo Antonio do Pari, com apoio da Boutique Cigana.

Carmem Toledo desfila ao lado do jornalista Dutra.

Participei do desfile de roupas ciganas - organizado pela dona Marlene Capela Wilson - e, em seguida, de duas apresentações de dança.













Seguem algumas fotos e as canções utilizadas:

"Historia de un amor", Manuel Malou.
Esta música foi escolhida na última hora, ou melhor, alguns minutos antes que eu saísse de casa.
Fui surpreendida por um telefonema que dizia que eu iria me apresentar na festa. Escolhi uma roupa e esta canção, composta por Carlos Ereta Almarán, que fez sucesso nas vozes de Eydie Gormé e Trío Los Panchos.
Comigo, apresentaram-se também a dona Carmen - esbanjando simpatia - e um convidado da festa.







"Con mi rumba", Luna Bianca.
Esta canção não foi escolhida por mim, na ocasião.
Ela foi tocada no momento em que todos os participantes do desfile foram convidados a "bailar la rumba" nesta festa que homenageou os trabalhadores.









Carmem Toledo.



Minha primeira apresentação no Saphyra Espaço de Dança




Comecei a frequentar as aulas de Dança Cigana no dia 2 de agosto de 2012.
Até então, não tinha nenhuma experiência nesta modalidade, tendo apenas cursado três meses de Dança de Salão e cinco meses de Dança do Ventre, em outras escolas. Como não havia me adaptado bem aos espaços que ofereciam esses cursos, não permaneci durante muito tempo.

Para minha surpresa, alguns dias depois de ter feito minha primeira aula no Saphyra Espaço de Dança, fui uma das sorteadas para me apresentar em um evento interno, intitulado "Encontro Bimestral de Dança". As apresentações realizadas nesse encontro devem ser criadas pelos próprios sorteados, que optam por dançar de uma a três músicas de sua escolha.


As estrelas do dia:
Carmem Toledo, Lady Agatha Daae, Jane Alves e Johann Zago



Saphyra Cris Wilson dançando
ao som de Adriah Esteves e Marcus Santurys
Meu primeiro "Encontro Bimestral de Dança" aconteceu no dia 9 de setembro de 2012 e foi também um momento de comemoração do aniversário da professora e responsável pelo espaço, Saphyra Cristiane Wilson, que havia completado mais um ano de vida no dia 7 daquele mês.









A presença de vários convidados enriqueceu o evento, que foi palco não somente de dançarinos talentosos (e de dançarinas que começavam a engatinhar, como eu), mas também de muita alegria e descontração.
Naquele dia, além de mim, apresentaram-se também Lady Agatha Daae, Johann Zago e Jane Alves.



Carmem Toledo e Marcus Santurys
Adriah Esteves e Marcus Santurys foram duas das presenças ilustres que nos presentearam com seu talento musical.
Adriah, com o som envolvente do violão e Santurys, com a melodia de sua cítara.








Como é a música que empresta o sentido da comunicação aos movimentos do corpo na dança, creio que seja importante dizer quais foram as canções que utilizei em minhas apresentações:


"Habanera", da ópera "Carmen", Georges Bizet.
Esta canção abriu minha estreia na dança e dispensa grandes explicações.
Por ser a música de abertura daquela que foi minha primeira apresentação no Saphyra Espaço de Dança, foi escolhida por representar uma corriqueira introdução social. Foi minha maneira de dizer a todos: "Olá! Meu nome é Carmem!"
No final, lancei uma rosa vermelha ao público, repetindo a ação da cigana que lançara uma flor de acácia ao militar Don José, no conto de Prosper Mérimée que deu origem à ópera de Georges Bizet.












"Ritmo de la noche", Gipsy Kings.
Creio que esta canção represente bem minha ansiedade diante daquela experiência de me apresentar, dançando, pela primeira vez. Deitava-me na cama e ficava ouvindo as canções que escolhera para dançar naquela ocasião - mania que ainda não perdi e, creio, não perderei tão cedo.
Tal era o ritmo de minhas noites.







"Lel-Lere-Bay-Bay", Manuel El Chachi.
Escolhi esta canção por ser bastante agitada e porque queria algo animado para encerrar minhas apresentações daquele dia. Esta canção é um elogio à cigana sedutora, que passeia pelos sonhos de seus enfeitiçados com seus cabelos negros.



Carmem Toledo.






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