Lá, vocês saberão mais sobre mim, serão informados sobre minhas atividades e terão acesso a todos os meus projetos, blogs e também ao meu curriculum (é só ler com atenção; vocês encontrarão tudo lá)!
"Tormenta": Carmem Dalida e Ronald Mello
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Tenho o prazer de anunciar meu primeiro single, que acaba de ser lançado
em todas as plataformas:
"Tormenta", uma obra de Juana Aguirre, na voz de Car...
Mais uma vez, fui sorteada para dançar no Encontro Bimestral de Dança. Desta vez, o evento aconteceu no dia 16 de junho de 2013 e contou com as apresentações de Lunnah D'Ouro, Angélica Vianna e Gill Ahrins, além da participação especial de Adriah Esteves.
As estrelas do dia:
Carmem Toledo, Gill Ahrins, Lunnah D'Ouro e Angélica Vianna.
O que eu não esperava é que este encontro, que deveria ser apenas uma mostra interna de dança, viria a se tornar, de repente, minha festa de aniversário...
Nasci no dia 6 de maio, mas, como nossa professora Saphyra estava viajando (colhendo muita informação e cultura na Turquia, para dividir com suas alunas), a festa surpresa foi feita pouco mais de um mês depois.
Na verdade, meu nascimento estava previsto para o início de junho, mas nasci um mês antes. Isto significa que fui homenageada na época certa, afinal, a apressada fui eu.
Este evento foi repleto de música, dança e muita alegria, além de apresentações que encantaram a todos.
Em determinado momento, fui chamada a dançar - de maneira improvisada - ao som de "A mi manera", interpretada por Adriah Esteves.
Mariana Martins, Elisabete Zancanella, Carmem Toledo,
Adriah Esteves, meus pais Edson e Irene de Toledo,
Lady Agatha Daae e Lunnah D'Ouro.
Depois, descemos todos para a Boutique Cigana, onde foram oferecidos muitos salgados, refrigerantes, vinhos e o maravilhoso bolo feito por Bete Zancanella, com muito chocolate (exatamente como eu adoro).
Carmem Toledo, Adriah Esteves, meus pais Edson e Irene de Toledo,
Saphyra Cris Wilson e Douglas Nicolete.
Foi um dia muito especial, que ficará guardado em minha memória, para sempre.
Os melhores presentes que recebemos são as demonstrações de carinho e as palavras que surgem do coração.
Agradeço aos meus pais, à Saphyra Cris Wilson e a todos que participaram desse plano tão bem arquitetado...
Neste dia, minhas apresentações foram uma homenagem aos meus antepassados.
Todas as canções escolhidas falavam sobre Andaluzia, região localizada no sul da Espanha, onde a maior parte deles nasceu. Cada roupa utilizada também teve seu significado, de acordo com o que a canção dizia.
No dia seguinte à apresentação, publiquei, em meu blog pessoal, um texto que conta a história de meus antepassados, juntamente com a tradução, feita por mim, da música da primeira apresentação ("Andalucía"). Sugiro que o leiam, depois que terminarem de ler esta postagem.
Seguem as músicas que utilizei naquele dia e algumas fotos:
"Andalucía", El Barrio.
Esta canção fala sobre a Comunidade Autônoma de Andaluzia e tudo o que esta terra oferece: suas belezas, seus poetas, a calma das "calles", onde senhoras se sentam em suas velhas cadeiras de balanço... além de um sentimento inominável que toma conta de quem visita este lugar, traduzido na música como "el sentir de Andalucía".
Minha roupa é verde, por ser esta a cor predominante da bandeira de Andaluzia.
"El toro y la luna", El Matador.
Esta é uma canção tradicional, composta por Carlos Castellano Gómez (seu título original é "La luna y el toro"). Já foi gravada por Eydie Gormé, Joselito e outros intérpretes.
Conta a história de um touro que se apaixona pela lua, ao ver seu reflexo no rio.
A canção fala da lua atribuindo-lhe características de uma mulher: ela se penteia nos "espelhos do rio", sai à noite com uma "bata de cola"... Já as patas do touro são comparadas a leques coloridos, por causa de sua paixão, que acaba escondendo toda sua valentia.
Minha saia representa a água do rio e suas franjas prateadas, o reflexo da lua.
Minha blusa e meu corpete simbolizam o céu noturno.
Os acessórios prateados são as estrelas e astros luminosos que caem sobre o touro e o "banham de prata".
O leque é uma referência à parte da letra que diz "abanicos de colores parecen sus patas".
"Granada", Plácido Domingo.
Composta pelo mexicano Agustín Lara, esta canção homenageia a cidade espanhola pertencente à região de Andaluzia.
Fala sobre as touradas e toda a beleza cigana dessa terra cheia "de lindas mujeres, de sangre y de sol".
Vesti-me de vermelho, com acessórios dourados, para representar as cores da bandeira da Espanha e do escudo do município de Granada, onde um de meus bisavós maternos nasceu. O vermelho também se refere ao sangue das "tardes de toros".
No dia 1º de maio de 2013, fiz minha primeira apresentação para um público maior, durante a Festa do Trabalhador organizada pela Igreja Santo Antonio do Pari, com apoio da Boutique Cigana.
Carmem Toledo desfila ao lado do jornalista Dutra.
Participei do desfile de roupas ciganas - organizado pela dona Marlene Capela Wilson - e, em seguida, de duas apresentações de dança.
Seguem algumas fotos e as canções utilizadas:
"Historia de un amor", Manuel Malou.
Esta música foi escolhida na última hora, ou melhor, alguns minutos antes que eu saísse de casa.
Fui surpreendida por um telefonema que dizia que eu iria me apresentar na festa. Escolhi uma roupa e esta canção, composta por Carlos Ereta Almarán, que fez sucesso nas vozes de Eydie Gormé e Trío Los Panchos.
Comigo, apresentaram-se também a dona Carmen - esbanjando simpatia - e um convidado da festa.
"Con mi rumba", Luna Bianca.
Esta canção não foi escolhida por mim, na ocasião.
Ela foi tocada no momento em que todos os participantes do desfile foram convidados a "bailar la rumba" nesta festa que homenageou os trabalhadores.
Comecei a frequentar as aulas de Dança Cigana no dia 2 de agosto de 2012.
Até então, não tinha nenhuma experiência nesta modalidade, tendo apenas cursado três meses de Dança de Salão e cinco meses de Dança do Ventre, em outras escolas. Como não havia me adaptado bem aos espaços que ofereciam esses cursos, não permaneci durante muito tempo.
Para minha surpresa, alguns dias depois de ter feito minha primeira aula no Saphyra Espaço de Dança, fui uma das sorteadas para me apresentar em um evento interno, intitulado "Encontro Bimestral de Dança". As apresentações realizadas nesse encontro devem ser criadas pelos próprios sorteados, que optam por dançar de uma a três músicas de sua escolha.
As estrelas do dia: Carmem Toledo, Lady Agatha Daae, Jane Alves e Johann Zago
Saphyra Cris Wilson dançando
ao som de Adriah Esteves e Marcus Santurys
Meu primeiro "Encontro Bimestral de Dança" aconteceu no dia 9 de setembro de 2012 e foi também um momento de comemoração do aniversário da professora e responsável pelo espaço, Saphyra Cristiane Wilson, que havia completado mais um ano de vida no dia 7 daquele mês.
A presença de vários convidados enriqueceu o evento, que foi palco não somente de dançarinos talentosos (e de dançarinas que começavam a engatinhar, como eu), mas também de muita alegria e descontração.
Naquele dia, além de mim, apresentaram-se também Lady Agatha Daae, Johann Zago e Jane Alves.
Carmem Toledo e Marcus Santurys
Adriah Esteves e Marcus Santurys foram duas das presenças ilustres que nos presentearam com seu talento musical.
Adriah, com o som envolvente do violão e Santurys, com a melodia de sua cítara.
Como é a música que empresta o sentido da comunicação aos movimentos do corpo na dança, creio que seja importante dizer quais foram as canções que utilizei em minhas apresentações:
"Habanera", da ópera "Carmen", Georges Bizet.
Esta canção abriu minha estreia na dança e dispensa grandes explicações.
Por ser a música de abertura daquela que foi minha primeira apresentação no Saphyra Espaço de Dança, foi escolhida por representar uma corriqueira introdução social. Foi minha maneira de dizer a todos: "Olá! Meu nome é Carmem!"
No final, lancei uma rosa vermelha ao público, repetindo a ação da cigana que lançara uma flor de acácia ao militar Don José, no conto de Prosper Mérimée que deu origem à ópera de Georges Bizet.
"Ritmo de la noche", Gipsy Kings.
Creio que esta canção represente bem minha ansiedade diante daquela experiência de me apresentar, dançando, pela primeira vez. Deitava-me na cama e ficava ouvindo as canções que escolhera para dançar naquela ocasião - mania que ainda não perdi e, creio, não perderei tão cedo.
Tal era o ritmo de minhas noites.
"Lel-Lere-Bay-Bay", Manuel El Chachi.
Escolhi esta canção por ser bastante agitada e porque queria algo animado para encerrar minhas apresentações daquele dia. Esta canção é um elogio à cigana sedutora, que passeia pelos sonhos de seus enfeitiçados com seus cabelos negros.
Bandeira da Comunidade Autônoma de Andaluzia (sul da Espanha)
Bandeira da Comunidade Autônoma das Ilhas Canárias (arquipélago do Oceano Atlântico pertencente à Espanha)
Bandeira da Comunidade Autônoma de Murcia (sudeste da Espanha)
Espanha: terra de grandes poetas, de touradas que tingem a terra de sangue, de mulheres salerosas... e de meus antepassados. Todos os meus bisavós - maternos e paternos - vieram de lá, sendo boa parte da região de Andaluzia.
Tudo começou quando Ana Fortes Días - filha de María Días, uma callí (cigana da Península Ibérica) casada com um gachó (homem que não é cigano) chamado José Fortes -, nasceu no povoado de La Carolina (província de Jaén). Na juventude, conheceu o andaluz nascido em Viator, Almería, José Gongora Cesar - filho de Trinidad Cesar Rodrigues e José Gongora Torres. Apaixonaram-se, casaram-se e vieram para o Brasil, trazendo o primeiro filho, José Gongora, que tinha apenas alguns meses.
Eles vieram para o interior de São Paulo, não somente em busca de uma vida melhor, mas principalmente, porque a família de Ana era contra o casamento. O irmão de José, Juan Gongora, também veio pouco tempo depois, instalando-se no Paraná - em Londrina ou Curitiba - porém, nunca mais deu notícias.
Ana, de tanto chorar a cada carta das irmãs que ficaram em Andaluzia, fez com que José tomasse uma atitude difícil: a de não mais entregar-lhe as epístolas. E foi assim que Ana perdeu todo o contato com sua família.
Vieram os outros filhos. Depois de José (nascido em Andaluzia), nasceram os primeiros brasileiros: Maria, Trindade (que deveria ter sido registrada como Trinidad), Antonio, Carmem (registrada no Brasil, erroneamente, com "m") e Manuel (que faleceu ainda bebê).
Carmem Gongora era a caçula, nascida na cidade de Tapiratiba, interior de São Paulo.
Aos 12 anos, conheceu Luís Antiquera Rodrigues, um jovem de 17 anos que vivia na fazenda vizinha, nascido em São José do Rio Pardo, em São Paulo. Seus pais, Francisca Lopes e Juan Antiquera Rodrigues (vindo a se tornar "João" nos documentos, além de receber o sobrenome "Rodrigues" de seu patrão, ao embarcar no navio que o trouxe), também eram andaluzes de Granada. Luís, como Carmem, também era o caçula de muitos irmãos: Francisco, María del Carmen, Izabel, João Francisco, Antonio e Rosaria Mathildes. Alguns anos depois, Carmem e Luís se casaram e tiveram dois filhos: Irene e Luís.
Enquanto isso, casavam-se Eulália e João, cujos pais também vieram da Espanha. Os pais de João eram Israel de Toledo, um judeu espanhol nascido na região de Andaluzia, e Hermínia Ávila, uma morena de olhos amendoados nascida em Santa Cruz de Tenerife, Ilhas Canárias. Os pais de Eulália eram Bartolomeu Serrano Lopez - nascido em Murcia - e María Josefa Martins Hernández - nascida na região de Andaluzia. Eulália tem um irmão chamado Cristóvão; João, três irmãos: Carmen, Clara e Antonio.
Eulália e João tiveram sete filhos: Edson, Izidro, Maria da Penha de Jesus, Irineu, Magali, Marcia e Elaine.
Edson de Toledo, o mais velho, casou-se com Irene Gongora Rodrigues.
E eu nasci. Nasci Carmem, como minha avó materna e minha tia-avó paterna; Carolina, como o pequeno povoado de Jaén onde minha bisavó Ana nasceu; Rodrigues, como o sobrenome "emprestado" de meu bisavô Juan; Toledo, como o sobrenome de meu bisavô Israel.
Terra de Camarón de la Isla, Federico García Lorca, Miguel de Cervantes, Paco de Lucía, Plácido Domingo, Sarita Montiel, Luís de Góngora...
Esta é a Espanha!
Foi nessa terra que nasceram também os cantores José Luis Figuereo Franco - conhecido como El Barrio - e Rosana Arbelo Gopar.
El Barrio nasceu em Cádiz, Andaluzia. Rosana nasceu em Lanzarote, Ilhas Canárias.
El Barrio começou a demonstrar seu talento ainda na infância. Seu nome artístico foi escolhido em homenagem ao bairro de Santa María, onde nasceu, em Cádiz. Como a maioria dos cantantes espanhóis, sua maior inspiração é Paco de Lucía.
Rosana compõe e canta rumbas, mas também grava estilos diversos, como Rock e Reggae. Aos cinco anos, ganhou seu primeiro violão e aos oito, compôs sua primeira canção.
Para esta postagem, pertencente à série Especial - A Beleza das Raças, escolhi duas canções fortes, com letras profundas, que estimulam a reflexão e inspiram o respeito àqueles que estiveram na Terra antes de nós e àqueles que ainda virão.
A canção "Andalucía" é um pequeno resumo dessa terra de poetas e artistas onde meus antepassados nasceram. Percebe-se o amor e o respeito que El Barrio tem por essa bela região, não somente através da letra, mas pela melodia forte e cheia de sentimento.
O clipe de "Llegaremos a tiempo" não fala apenas por palavras, mas também é perfeitamente compreensível pelas imagens. Ela se dirige a todos os seres humanos, e não somente aos cidadãos espanhóis.
Logo abaixo, seguem as letras das canções e suas respectivas traduções, feitas por mim.
O vídeo de "Andalucía" traz bonitas imagens andaluzes.
O clipe de "Llegaremos a tiempo" não foi incorporado, pois roda somente na página do Youtube, por determinação da gravadora WMG. Peço que ouçam as canções nos players abaixo, acompanhando a letra e depois, assistam aos clipes.
Carmem Toledo.
Vídeo: Canal tano rubiales cardona, Youtube
"Andalucía"
El Barrio
Letra:
Vente conmigo a vivir
Tengo una choza en un rio llena de rosas y jazmín (bis)
Ayer tuve un sueño,
No quise despertar Me vi en un patio cualquiera
Con balcones, con calichas y escaleras quebradas, De barandas cubiertas de enredaderas
Casa puertas de madera y un olor a humedad.
Una mujer vieja sentada
En una mecedora
Que apenas balancea,
Una mesa y una sillita de nea, Unos años de guerra y alegría
Un naranjo y en el centro
Y el sentir de Andalucía,
Andalucía Vente conmigo a vivir
Tengo una choza en un rio llena de rosas y jazmín (bis)
Tierra de grandes poetas,
Pero haber quien me discute
Que siendo andaluz nunca ha escrito una letra Quien nos ha impregnado de sal
Si entre montes, valle y mar, Tenemos para regalar
En un parque solitario
Con la luna por testigo Sueñan dos enamorados Golondrinas que anidan el tejado Una fuente donde se llenan los barros (?), Caballo, guitarra, vino y carro Y el sentir de Andalucía Andalucía Vente conmigo a vivir
Tengo una choza en un rio llena de rosas y jazmín (bis)
Tradução (por Carmem Toledo):
Vem comigo viver
Tenho um casebre no rio cheio de rosas e jasmim
Ontem tive um sonho
Não quis despertar
Me vi em um pátio qualquer
Com sacadas, com paredes descascadas e escadas quebradas
Si te arrancan al niño, que llevamos por dentro, Si te quitan la teta y te cambian de cuento No te tragues la pena, porque no estamos muertos Llegaremos a tiempo, llegaremos a tiempo
Si te anclaran las alas, en el muelle del viento Yo te espero un segundo en la orilla del tiempo Llegarás cuando vayas más allá del intento Llegaremos a tiempo, llegaremos a tiempo…
Si te abrazan las paredes desabrocha el corazón No permitas que te anuden la respiración No te quedes aguardando a que pinte la ocasión Que la vida son dos trazos y un borrón
Tengo miedo que se rompa la esperanza Que la libertad se quede sin alas Tengo miedo que haya un día sin mañana Tengo miedo de que el miedo, te eché un pulso y pueda más No te rindas no te sientes a esperar
Si robaran el mapa del país de los sueños Siempre queda el camino que te late por dentro Si te caes te levantas, si te arrimas te espero Llegaremos a tiempo, llegaremos a tiempo…
Mejor lento que parado, desabrocha el corazón No permitas que te anuden la imaginación No te quedes aguardando a que pinte la ocasión Que la vida son dos trazos y un borrón
Tengo miedo que se rompa la esperanza Que la libertad se quede sin alas Tengo miedo que haya un día sin mañana Tengo miedo de que el miedo te eché un pulso y pueda más No te rindas no te sientes a esperar
Solo pueden con tigo, si te acabas rindiendo Si disparan por fuera y te matan por dentro Llegarás cuando vayas, más allá del intento Llegaremos a tiempo, llegaremos a tiempo…
Solo pueden con tigo, si te acabas rindiendo Si disparan por fuera y te matan por dentro Llegarás cuando vayas, más allá del intento Llegaremos a tiempo, llegaremos a tiempo…
Tradução (por Carmem Toledo):
Se te arrancam a criança que levamos por dentro,
Se te desmamam e te mudam de conto
Não te engulas o tormento, porque não estamos mortos
Chegaremos a tempo, chegaremos a tempo
Se te fixam as asas no cais do vento
Eu te espero um segundo na borda do tempo
Chegarás quando fores mais além da tentativa
Chegaremos a tempo, chegaremos a tempo
Se te abraçam as paredes, desabrocha o coração
Não permitas que te amarrem a respiração
Não fiques esperando que pinte a ocasião
Que a vida são dois traços e um borrão
Tenho medo que se quebre a esperança
Que a liberdade fique sem asas
Tenho medo que haja um dia sem manhã
Tenho medo de que o medo te tire a força e possa mais
Não te rendas, não te sentes a esperar
Se roubaram o mapa do país dos sonhos,
Sempre resta o caminho que te fala por dentro
Se te cais, te levantas, se te aproximas, te espero
Chegaremos a tempo, chegaremos a tempo
Melhor lento que parado, desabrocha o coração
Não permitas que te amarrem a imaginação
Não fiques esperando que pinte a ocasião
Que a vida são dois traços e um borrão
Tenho medo que se quebre a esperança
Que a liberdade fique sem asas
Tenho medo que haja um dia sem manhã
Tenho medo de que o medo te tire a força e possa mais
Não te rendas, não te sentes a esperar
Só podem contigo, se te acabas rendendo
Se disparam por fora e te matam por dentro
Chegarás quando fores mais além da tentativa
Chegaremos a tempo, chegaremos a tempo
Só podem contigo, se te acabas rendendo
Se disparam por fora e te matam por dentro
Chegarás quando fores mais além da tentativa
Chegaremos a tempo, chegaremos a tempo
(Tradução para o português: Carmem Toledo)
(Texto originalmente publicado no blog "Carmem Toledo", no dia 17 de junho de 2013)
O povo cigano originou-se, provavelmente, na Índia ou no Egito, espalhando-se pela Europa e então, pelo mundo. Nômade, reuniu elementos de várias culturas e, assim, criou sua identidade e sua própria língua, o romani.
Na Península Ibérica, há uma língua derivada de diferentes dialetos chamada caló ou chipicalli, que também é usada pelos ciganos.
O caló "emprestou" muitas palavras ao idioma castelhano, como:
"andoba": pessoa sem importância, "um tal de"; "chachi": muito bom, extraordinário, verdadeiro (do caló: "chachipén"); "chalao" ou "chalado": louco (do caló: "chala"); "chaval": menino (do caló: "chavó"); "molar": gostar muito de algo, a valer (do caló: "molel"); "pureta": velho (do caló: "puró"), etc.
Os ciganos se dividem em três grandes grupos, que compreendem várias famílias: - Calé, presente na Península Ibérica - principalmente Espanha e Portugal -, sul da França e norte da África. - Rom, que inclui os Kalderash (Balcãs: Sérvia, Turquia, Romênia, Eslovênia, etc.) e os Romanichal (Reino Unido e América do Norte). - Sinti, presente na Alemanha e na região da Alsácia.
Hoje, existem milhões de ciganos espalhados pelo mundo.
Brasil, Espanha, Romênia, França e Sérvia são alguns dos países onde eles existem em maior número.
A história dos ciganos na Espanha data de cerca de 600 anos.
Nesse país, existem entre 600.000 e 650.000 gitanos, em uma população de cerca de 40 milhões de habitantes. A maior concentração se encontra na região de Andaluzia, no sul da Espanha, onde há cerca de 350.000 ciganos.
No Brasil, os primeiros ciganos chegaram depois de serem expulsos de Portugal, no século XVI. Foram degredados, principalmente, para a Bahia, o Maranhão e o Rio de Janeiro, entre outras capitanias.
No século XIX, quando D. João VI viajou ao Rio de Janeiro, artistas de teatro o acompanharam, para distrai-lo. Eram todos ciganos.
Mais tarde, durante a Primeira Guerra Mundial, um grande número de ciganos do Leste Europeu imigrou para o Brasil, dedicando-se ao comércio, ao artesanato e às artes circenses.
Na Segunda Guerra Mundial, assim como os judeus, eram considerados uma raça inferior e também sofreram perseguição nazista. Muitas crianças ciganas eram usadas como cobaias em experiências médicas, em Auschwitz. Nesse período, também houve grande imigração.
Hoje, há cerca de 800.000 ciganos no Brasil, onde foi instituído, em 2006, o Dia Nacional do Cigano, que é comemorado todos os anos, dia 24 de maio, oficialmente, desde 2007. Esta data foi escolhida por ser o Dia de Santa Sara Kali, padroeira dos ciganos.
Segundo uma versão da história da santa, Sara teria guiado José de Arimateia, juntamente com Maria de Nazaré, sua irmã Maria Jacobina e Maria Salomé (mãe de João e Tiago), durante a perseguição romana aos cristãos. De acordo com uma outra versão, vendo as "três Marias" chegarem em um barco que ameaçava afundar, ela teria lançado seu lenço sobre as ondas e caminhado sobre as águas, para guiá-las no desembarque.
Essas histórias e tradições sempre foram passadas oralmente, pois os ciganos costumam ser analfabetos. Ainda hoje, há muitos com baixa escolaridade.
No entanto, existem muitos ciganos com Ensino Superior e Pós-Graduação completos.
Há, inclusive, programas de inclusão social, sobretudo, na Europa, como a EURoma - European Network on Social Inclusion and Roma under the Structural Funds -, que aplica políticas destinadas a melhorar a coesão social na União Europeia, garantindo o acesso aos fundos estruturais e, portanto, ao trabalho, aos estudos e a uma real participação na sociedade.
A imagem do cigano sempre inspirou discriminação, misticismo e fantasias diversas.
Apesar de serem, muitas vezes, associados a religiões afro-brasileiras, é importante que se saiba que, como povo em que prevalece a pluralidade étnica e cultural, os ciganos têm diferentes religiões e crenças. Sendo assim, não podem ser vistos de maneira estigmatizada. Existem ciganos umbandistas, católicos, evangélicos e seguidores de muitas outras crenças.
Sua máxima é "A terra é minha Pátria, o céu é o meu teto e a liberdade é a minha religião".
Isto me faz lembrar um trecho do segundo ato da ópera "Carmen", de Bizet:
"Pour pays l'univers, pour loi ta volonté,
Et surtout, la chose enivrante:
La liberté! La liberté!"
Por país, o universo, por lei, tua vontade,
E sobretudo, a coisa inebriante:
A liberdade! A liberdade!
A liberdade, para os ciganos, é o bem mais precioso que se pode conquistar.
Restringi-los a uma única religião ou traço cultural é desrespeitar esse tesouro.
O que não podemos esquecer é que se trata de um povo que, como todos os outros, merece respeito.
Eu, como trisaneta de uma cigana calé nascida em Andaluzia, ofereço minha homenagem a essa cultura que deixa sua marca nas estradas por onde passa.
Quase nada sei sobre esta minha trisavó. Apenas sei que se chamava María e que faleceu em La Carolina (Província de Jaén, Andaluzia), quando minha bisavó tinha apenas nove anos.
Mesmo assim, dedico esta postagem especialmente a ela. Sei que, mesmo sem tê-la conhecido e tendo ouvido tão pouco sobre minha trisavó, ela me conhece e está ao meu lado, quando danço em honra de seu povo. Ela está presente também em cada parte de meu ser, pois seu sangue corre em minhas veias.
E vejam que brincadeira do destino: por pouco, não me chamo Sara!
No momento de meu nascimento, foi decidido que eu seria Carmem.
Carmem, como minha avó materna (neta de María) e como uma tia-avó paterna.
Carmem, como a cigana de Prosper Mérimée e de Georges Bizet.
Carmem: um poema cigano. E sou também Carolina, como a cidade onde ela faleceu.
E se trago um "m" intruso em meu nome, talvez, não seja por um mero erro de registro...
Se Carmen deu lugar a Carmem, esta pode ter sido uma homenagem do destino ao "M" de Maria: o nome de minha trisavó e das "três Marias" guiadas por Santa Sara.
Optchá!
Carmem Toledo
Segue o hino cigano, "Gelem Gelem", traduzido para o espanhol pela Unión Romani e em seguida, para o português, por mim.
Tradução para o português (a partir do espanhol, por Carmem Toledo):
Caminhei, caminhei por longos caminhos
Encontrei afortunados ciganos
Ai, ciganos, de onde vindes
com as tendas e os meninos famintos?
Ai, ciganos, ai, jovens!
Também eu tinha uma grande família
Foi assassinada pela Legião Negra
Homens e mulheres foram esquartejados
Entre eles também meninos pequenos
Ai, ciganos, ai, jovens!
Abre, Deus, as portas negras
que eu possa ver onde está minha gente.
Voltarei a percorrer os caminhos
e caminharei com afortunados calós (ciganos)
Ai, ciganos, ai, jovens!
Levantem-se, ciganos! (ou "Vamos!") Agora é o momento
Vinde comigo os ciganos do mundo
O rosto moreno e os olhos escuros
Gosto deles tanto quanto das uvas negras
Ai, ciganos, ai, jovens!
(Tradução para o português: Carmem Toledo)
Fontes consultadas:
Além das fontes abaixo, incluo relatos familiares e recordações de infância, inclusive, no que diz respeito a palavras em caló (que eram ditas por minha bisavó Ana, filha da cigana María). Agradeço à minha mãe Irene, à minha avó Carmem (também registrada com "m") e à minha bisavó Ana pela memória preservada e pela riqueza cultural transmitida.
5. FAZITO, Dimitri. "A identidade cigana e o efeito de 'nomeação': deslocamento das representações numa teia de discursos mitológico-científicos e práticas sociais". Revista de Antropologia [online], Departamento de Antropologia - FFLCH - USP, 2006, vol.49, n.2, pp. 689-729 (http://www.scielo.br/pdf/ra/v49n2/07.pdf)
13. REBOLLEDO, J. Tineo. "A Chipicalli (La lengua gitana): Conceptos sobre ella en el mundo profano y en el mundo erudito - Diccionario Gitano-Español y Español-Gitano", Granada, Imprenta de F. Gómez de la Cruz, 1900 (http://www.archive.org/stream/achipicallilalen00tine#page/n7/mode/2up)
"Tormenta": Carmem Dalida e Ronald Mello
-
Tenho o prazer de anunciar meu primeiro single, que acaba de ser lançado
em todas as plataformas:
"Tormenta", uma obra de Juana Aguirre, na voz de Car...
A notícia da Dupla Excepcionalidade
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Tenho uma novidade para contar a todos que acompanham o Super Specialis e
meus outros projetos:
Recentemente, fui identificada com TEA Nível I (antiga Sínd...